BANCO SOL DESENCADEIA PLANO DE RECAPITALIZAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO
Com o propósito de obter informação mais detalhada sobre o plano de recapitalização e reestruturação do Banco superiormente aprovado pelos accionistas e sancionado pelo Banco Nacional de Angola a 24 de Abril e posteriormente divulgado através de um comunicado de imprensa datado de 26 de Abril do corrente ano, o SNEBA, numa delegação chefiada pelo Presidente da Direcção, Filipe Makengo, integrada ainda pelo Secretário de Imprensa e Comunicação, Rui Murthala Guimarães e pelos Assessores Jurídicos, nomeadamente, Luterio Sebastião, Joaquim Amandio e Angelino António, se reuniu com uma delegação do Banco Sol, chefiada pelo Presidente do Conselho de Administração Senhor, António André Lopes coadjuvado pelo Presidente Comissão Executiva, Senhor Osvaldo de Lemos Macaia, pela Administradora Paula Maria Rodrigues Tavares Monteiro e pelos Directores, do Planeamento e Controlo, Jurídico e Contencioso e Capital Humano, Fernando Eduardo, Eduardo Baltazar e Mariana Fernandes, respectivame.
Dando detalhes do Plano de Recapitalização e Reestruturação, o Senhor PCA fez uma breve explanação do historial do Banco. Também afirmou que o Banco Sol vinha vivendo problemas graves do controlo interno, inadimplência de 75% da carteira de crédito malparado elevado e incerteza no retorno. Adiantou ainda a falta de provisionamento das imparidades, incumprimento de normas do Banco Central. Prejuízos demais de seis mil milhões de Kwanzas, no exercício de 2024, agravado pela reexpressão contabilística exigida pelo Auditor Externo como fatores para a actual situação da instituição.
Estas e outras situações determinaram como solução a recapitalização e reestruturação do Banco, com encerramento de pontos de atendimento não rentáveis e que acarretavam elevados custos operacionais, tornando-os insustentáveis, com manutenção dos imoveis e com folha salarial.
Segundo o PCA. para a estabilidade do Banco, é necessária a injecção de recursos frescos, encerramento de pontos de atendimento, dispensa de 30% do quadro de pessoal (que ronda actualmente os 1686 trabalhadores) à luz da LGT, nº. 12/23, de 26 de Dezembro, artigos nºs.47º e 48º, com efeitos a partir do dia 30 de Maio, como data da implementação da primeira fase do Plano de recapitalização e reestruturação.
O Plano prevê alguns benefícios para os trabalhadores a serem despedidos por consequência do encerramento dos pontos de atendimento, mormente, compensações acima dos previstos na Lei, perdão dos eventuais créditos e prováveis financiamentos para início de actividade empresarial.
Para o SNEBA, uma das principais causas determinantes deste plano de recapitalização e reestruturação, parte de uma gestão irresponsável e da tremenda incúria dos Gestores do topo e, quiçá, com cumplicidade dos accionistas. Na nossa opinião, devia haver lugar a penalizações aos níveis mais altos, ao invés de “sacarem” as culpas aos pobres trabalhadores, que se tornam “capim na contenda dos elefantes“. Infelizmente, em Angola é assim, os gestores e banqueiros não são responsabilizados da gestão danosa. Parte significativo do crédito malparado, foi concedido a pessoas de grupos de pertença e de alianças interessas (compadrios).
É incompreensível falar-se que o Banco Sol se debate com uma serie de problemas de rentabilidade, falta de liquidez, alta carteira de crédito malparado, insuficiências no controlo interno, incumprimentos com os fornecedores de bens e serviços, quando no fecho de exercício do 2023 distribuiu (fabulosas somas em comparticipação de lucros) dividendos a todos os níveis, desde accionistas, a membros dos Órgãos Sociais, Gestores e trabalhadores em geral!
O SNEBA entende que o Banco Nacional de Angola, embora não interfira na gestão dos Bancos, deve criar mecanismos de controlo dos tomadores de créditos incobráveis, que muito mal têm causado ao sistema financeiro e das incúrias dos accionistas e dos gestores de topo. Também a abertura de agências deve ser precedido de estudos de mercado e não da satisfação das alianças, mesmo em zonas sem potencialidades económicas que depois, se tornam em simples centros de custos sem retorno.
O despedimento de trabalhadores não deve ser a última alternativa; é preciso pensar-se na política de redistribuição e recolocação dos trabalhadores dos pontos a encerrar para os pontos de atendimento da proximidade, evitando-se, desta forma. o aumento da taxa de desemprego que o país regista, bem como do aumento da insatisfação e sofrimento de muitos cidadãos e famílias angolanas.