SNEBA REÚNE COM COMISSÃO EXECUTIVA DO ACCESS BANK ANGOLA
Uma delegação do SNEBA integrada por quatro membros dentre dirigentes e advogados, manteve um encontro com membros da Comissão Executiva do ACCESS BANK ANGOLA.
Chefiaram as delegações os Presidentes da Direcção do SNEBA e da Comissão Executiva do ACCESS BANK ANGOLA, respectivamente, Filipe Makengo Segundo e Ricardo Matias Ferreira Petinga.
Integraram ainda as duas delegações:
Pelo SNEBA: Rui Guimarães- Secretário de Imprensa e Comunicação, Luterio Sebastião e Braulio Andrade (Advogados);
Pelo Access Bank Angola: António Luis Henriques Ribeiro (Administrador Executivo), Augusta Salvador (Administradora Executiva), Paula Barata Ferreira (Diretora de Capital Humano) e Marcelo Mendes (Advogado).
O encontro teve como base a uma carta de “denúncia” anonima de trabalhadores do Banco, endereçada a Direcção do Sindicato, no passado mês de Dezembro de 2024.
A carta anonima apontava uma série de situações irregulares, do ponto de vista do Sindicato, graves, nomeadamente:
- Imposição do inglês como língua obrigatória de trabalho;
- Pressão excessiva e desumana;
- Condições salariais precárias;
- Ilegalidades na contratação de trabalhadores estrangeiros (Moçambicanos e Nigerianos);
- Assédio moral e sexual;
- Perseguições e intimidações.
Face a gravidade dos pontos acima, a Direcção do Sindicato, entendeu ser necessário e urgente, solicitar uma reunião com Comissão Executiva do Banco, para apuramento da veracidade dos factos e do contraditório.

O Presidente da Comissão Executiva do ACCESS Bank, reconheceu haver trabalhadores inconformados com a nova gestão, bem como da perca de benefícios que eram atribuídos de forma selectiva, tais como, salários diferenciados entre os trabalhadores nacionais e os expatriados. Também acrescentou haver sintomas de resistência a mudança no seio.
Continuando ainda, disse o PCE, que, a nova entidade, não devia continuar à assistir situações de injustiças e práticas lesivas às normas, logo, viu-se obrigado a separar as águas, uniformizando os procedimentos e critérios de gestão do Capital Humano do Banco, com ajustamento da tabela salarial, facto que não ocorria na Administração anterior. Também foi estabelecido níveis salariais compatíveis à Banca, bem como de subsídios e de outros incentivos, estando presentemente estabelecido o salário mínimo acima dos trezentos mil Kwanzas (300.000.00), para o pessoal de apoio administrativo, por exemplo os motoristas e outros auxiliares.
Concluindo, o PCE disse que os descontentes faziam parte de um pequeno grupo de privilegiados da antiga gestão. Pois, o Access Bank Angola, não pactua com práticas discriminatórias entre os trabalhadores. Pois, segue uma cultura uniforme na sua gestão.
O Presidente da Direcção do Sindicato, Filipe Makengo, expôs as razões que motivaram a denúncia, destacando as preocupações dos trabalhadores com o ambiente de trabalho tóxico, práticas abusivas e violações de direitos laborais.
Em sintace, o CEO do Access Bank, Ricardo Petinga, defendeu as acções da nova administração, afirmando que o Access Bank é uma instituição global com valores baseados na fé e no respeito pelas pessoas. Segundo ele, a língua inglesa é naturalmente prioritária, dada a origem e a matriz do banco, o que não significa, desrespeito ao contexto angolano.
Petinga destacou ainda as medidas positivas implementadas desde a chegada da nova equipa de gestão, tais como:
- Atualização salarial em Novembro de 2024, após anos sem reajustes.
- Pagamento do 13º salário e atribuição de cabazes de Natal.
- Investimento em formação profissional, incluindo uma plataforma de e-learning.
- Estudo de mercado para uma atualização salarial sustentável.
- Criação de um grupo no WhatsApp para facilitar a comunicação entre colaboradores e administração.
Por seu turno, a Diretora do Departamento do Capital Humano, Paula Barata Ferreira, reforçou o compromisso da instituição em melhorar o clima organizacional e elevar a motivação dos trabalhadores. Paula Ferreira, admitiu que o Banco herdou uma série de “vícios e fragilidades”, mas garantiu que está empenhada em transformar o Access Bank em uma das melhores instituições financeiras de Angola.
Do Futuro do Access Bank Angola
O Access Bank tem como objectivo estar entre os 5 melhores bancos de Angola, mas para isso, precisa resolver as tensões internas e garantir um ambiente de trabalho saudável e justo. A administração prometeu continuar a trabalhar em conjunto com o Banco Nacional de Angola (BNA) para alinhar os processos e garantir a conformidade legal.
Enquanto isso, o SNEBA exige uma investigação rigorosa sobre as denúncias e a proteção dos trabalhadores que se sentem ameaçados. A credibilidade do Access Bank no mercado angolano dependerá da forma como lidar com essas denúncias e conseguir conciliar os objetivos globais com as necessidades locais.
Em suma, o choque de cultura organizacional:
A denúncia contra Access Bank Angola expõe um choque de cultura organizacional e de confiança entre os trabalhadores e a administração. Enquanto a instituição defende suas acções como parte de um processo de modernização e crescimento, os trabalhadores denunciam um ambiente tóxico e práticas abusivas. O desafio que se impõe é o de encontrar um equilíbrio que permita ao Banco crescer sem sacrificar os direitos e a dignidade de seus trabalhadores.
O caso serve como um alerta para o sector Bancário Angolano, destacando-se a importância de uma gestão transparente, baseada em princípios éticos e respeito. Colocando em primeiro lugar o homem como factor decisivo e determinante, para o alcance do progresso e estabilidade da Organização.